Por que um Comitê do Médico Jovem?
José Bonamigo*
A poucos anos atrás fomos questionados pelo então Presidente da Associação Paulista de Medicina, Dr. José Luiz Gomes do Amaral, sobre o baixo nível de interesse dos médicos residentes com relação ao associativismo. Questionava-nos, por exemplo, sobre a baixa freqüência destes no Clube de Campo da APM. Respondemos que o médico jovem trabalha muito, ganha pouco, e aproveita os poucos momentos de folga para descansar – geralmente em casa, recuperando as horas de sono perdidas.
Em 2007 o Cremesp divulgou uma pesquisa demonstrando que mais da metade desta população tem carga horária semanal que excede 60 horas. O ganho mensal de 33% dos médicos mais jovens encontra-se na menor faixa de rendimentos estudada, em contraste com 8% da população médica com maior tempo no mercado. Este fenômeno se deve, pelo menos em parte, ao treinamento que absorve o médico nessa fase da carreira. A bolsa de estudos da Residência Médica hoje tem valor bruto de R$ 1.916, caindo para cerca de R$ 1.500 após desconto de INSS e Imposto de Renda. A carga horária estabelecida em lei para programas de Residência é de 60 horas e, em muitos serviços, este limite é ultrapassado.
Ainda assim, existem parcelas menos favorecidas da juventude médica. A expansão de cursos de Medicina eleva ano a ano o número de médicos que se submetem a cursos de especialização - sem regulamentação, nem bolsa de estudos - ou que simplesmente são inseridos no mercado de trabalho sem treinamento adicional. A precariedade de vínculos nessa fase desmobiliza o jovem, afastando-o de suas entidades representativas.
Estas preocupações nos levaram a elaborar um projeto que ampliasse o relacionamento entre as entidades médicas, os acadêmicos de medicina e os médicos com até 10 anos de formado. A Comissão de Integração do Médico Jovem foi criada na AMB em 2006 e, em seguida, ampliou sua atuação com a participação do Conselho Federal de Medicina. Desde então a comissão tem apoiado ações de âmbito nacional no intuito de melhorar condições de ensino e de trabalho. Neste ano iniciaremos as atividades do Comitê do Médico Jovem na APM.
Temos como desafio mobilizar os acadêmicos com relação à APM, assim como fidelizar os médicos recém-formados na transição de sócio acadêmico para sócio efetivo. As ações direcionadas para este grupo têm especificidades e é nosso trabalho atendê-las. Realizaremos sessões científicas interativas com transmissão via internet em tempo real, organizadas e apresentadas por estudantes e médicos com até dez anos de carreira. Em breve teremos tutoriais no site da APM sobre opções de carreira e mercado de trabalho. Preparamos páginas na internet que permitirão acesso dos médicos jovens para dirimir dúvidas e mesmo para enviar sugestões.
Agradecemos a confiança dos Presidentes José Luiz (AMB) e Edson Andrade (CFM), que nos permitiram montar esse projeto nacionalmente, assim como a oportunidade de replicar este trabalho na APM, que nos foi dada pelos Drs. Jorge Curi e Ruy Tanigawa. Até breve!
*O médico José Bonamigo é presidente do Comitê do Médico Jovem da Associação Paulista de Medicina
Participe: medicojovem@apm.org.br |